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Textos de Quinta - É... É isso mesmo!
 



Independente - Ser ou não ser, eis a questão?

 Existem, sim, vantagens em ser uma banda independente. A liberdade de criação é total e irrestrita, o direcionamento é 100% interno, isto é, todas as decisões partem de dentro da banda e as conquistas, consequentemente, são também mérito do grupo. Essas conquistas de banda independente são mais gratificantes, pois você pode ter a sensação de dever cumprido. Conquista com as próprias mãos. E toda banda independente sonha com o dia em que não dependa só de si pra fazer as coisas, que possa ter empresário, produtor, roadie, tecnico de som, tecnico de luz, tecnico de voz, tecnico de PA, tecnico de tudo. Mas existem desvantagens, como a falta de tempo pra se dedicar a banda, falta de recursos e numero reduzido de shows. A propagação do nome da banda e aumento do numero de fãs também são processos lentos e graduais quando se é independente.
 A divulgação é outro pesadelo. O espaço na maioria das rádios inexiste. Já está definido. O Jabá é uma triste realidade. Algumas rádios, universitárias em geral, abrem espaço para novas bandas. A internet também é um importante recurso. Portais como o TramaVirtual oferecem espaço para hospedagem de bandas independentes totalmente de graça.
 E para por aí.
 Quando se tem uma estrutura maior como gravadora, empresário, produtor e outras coisas qualquer banda mainstream tem as coisas ficam muito mais fáceis. Não é mais necessário fazer shows com uma aparelhagem precária, porque a aparelhagem é contratada de acordo com as exigencias contratuais. Não é preciso mais rechear os show com covers, pois você tem a autonomia de uma banda autoral. Você é material pra cover e não depende mais dele. Não é mais necessário que a banda sue a camisa fazendo bons shows pra 50 pessoas na esperança de que na próxima vez elas voltem com outras. Uma execução em uma rádio pop arrebanha admiradores. Seis por dia por duas semanas te tornam a melhor banda de todos os tempos da última semana. Existe o outro lado, você fala de música, seu produtor, empresário e gravadora falam de mercado. Existem as exigências e padrões e nem todas as bandas tem peito para quebra-los. Normalmente acabam se perdendo musicalmente, fazendo algo bem diferente do que ouvem em casa, mas estão de bem com o mercado e com suas contas bancárias.
 Os independentes querem ser mainstream, o mainstream quer mais independencia. Paradoxal não? Pode até ser, mas é exatamente o que acontece.
 O sucesso como independente é no braço. Na cara e na coragem. Tem que suar a camisa. Como contratado de uma grande gravadora as coisas continuam difíceis, mas bem menos. Há pessoas suando a camisa por você. Enfim, é como se os independentes pescassem de caniço e o mainstream pescasse com mega redes de pesca.
 Mas o nosso peixe é bem melhor...



Escrito por Marcel Bittencourt às 09h18
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TRAMAVIRTUAL

Olha, se teve uma coisa muito bacana na internet brasileira foi, com certeza, o site TRAMAVIRTUAL. Pra quem não tem a mínima idéia do que eu estou falando, eu explico: o TRAMAVIRTUAL é um portal de música independente, ligado a gravadora TRAMA, que proporciona espaço pra qualquer artista disponibilizar o seu trabalho na rede. Tudo de graça, como deve ser.
O tramavirtual.com.br representa, acredito e quero acreditar, o futuro da música.
Existe uma infinidade de bandas, muitas com qualidade, muitas horrendas, mas competindo de igual pra igual. No TRAMAVIRTUAL não existe pistolão, mercado, pop, exigencias, empresários, troca de favores, toma lá da cá, panelinha ou jabá. É tudo no braço, meu velho! Põe tua música lá e deixa a galera julgar. Literalmente, porque uma das muitas coisas legais do site é que você pode fazer reviews das músicas. E não é nenhum jornalista ou publicitário que vai fazer isso, é o público. Tem coisa mais honesta que isso?
Foi lá que eu conheci umas bandas bem legais, muito mais legais que muita banda do mainstream. Bandas que, Deus me perdoe falar isso, mas dão de dez em muita "salvação do rock and roll".
Não existe patrocinador injetando grana no Tramavirtual. Não existe intervalo comercial. Não se fala de mercado. Trata-se de música, de arte, de trabalho autoral. Trata-se de originalidade, algumas vezes mais que outras, mas tem muita coisa original e isso prova que aquela idéia de que não existe mais o novo, apenas o velho que será revisto também é balela. É história pra produtor contar e pra banda cair.
Eu gosto muito da Baranga de São Paulo, da Laranja Freak de Porto Alegre, da The Feitos de Niterói, da Pelebrói Não Sei de Curitiba e de outras que eu conheci através do portal da Trama. É algo que está aí, ao alcance de qualquer um que curte internet. Vamos lá! Se começarmos a deixar um pouco a grande mídia de lado e nos voltarmos pra esse tipo de atitude que é moderna e que é necessária, pertinente e de relevância mega, talvez nosso "mercado fonográfico" comece a voltar a ser o que era antes, apenas um canal para o que é produzido pelos artistas. Nada mais que isso, que é sua única função.
Vivemos num momento musical onde todos os valores estão deturpados ou invertidos ou os dois. Enquanto existirem "tramasvirtuais" estaremos livres da "boa música" que nos é enfiada goela abaixo.

Você pode ouvir Eu, o Zé e os Cara no TRAMAVIRTUAL. http://www.tramavirtual.com.br/eu_o_ze_e_os_cara

 



Escrito por Marcel Bittencourt às 00h03
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50 coisas pra se fazer antes de morrer

 1 - Ter um amor verdadeiro
 2 - Encontrar uma ocupação que te de prazer
 3 - Aprender a tocar um instrumento ou cantar
 4 - Comer um prato cheio da comida que você mais gosta
 5 - Ouvir sua banda preferida no talo
 6 - Assistir "Plano 9" do Ed Wood
 7 - Conhecer Chico Buarque e Iron Maiden
 8 - Passar uma noite conversando com alguém
 9 - Comprar um carro
10 - Pedir demissão sem um pingo de remorso
11 - Jogar War e Banco Imobiliário
12 - Ler "O Iluminado"
13 - Assistir "O Nome da Rosa"
14 - Adquirir o hábito da leitura
15 - Adquirir o hábito de consultar o dicionário
16 - Ir a um show sozinho
17 - Comprar algo pelo simples fato de que você está a fim
18 - Ser promovido
19 - Deixar o orgulho de lado
20 - Não confiar em todo mundo
21 - Não desconfiar de todo mundo
22 - Trocar cartas
23 - Dizer aos seus amigos o quanto você os ama
25 - Pedir desculpas a quem você deve desculpas
26 - Agradecer sempre.
27 - Conversar com alguém que você admira
28 - Comer Cheddar McMelt
29 - Descobrir que aparência física é só um detalhe (e isso não é desculpa de feio)
30 - Ficar sozinho em determinados momentos
31 - Evitar tomar decisões a noite ou de cabeça quente
32 - Viajar
33 - Ser sorteado
34 - Picar pepino e cebola, misturar com maionese, por num pote, deixar 3 dias na geladeira e depois comer
com pão. (é bom)
35 - Conhecer o trabalho de Michael Moore
36 - Desencanar com a idéia de ser o primeiro, o melhor, o top...
37 - Assistir aqueles programas tipo Show da Fé ou Sessão Descarrego (como comédia, lógico)
38 - Abrir a cabeça pra coisas que você não gosta. Eu já achei Pink Floyd horível
39 - Mentir o mínimo possível
40 - Ter filhos
41 - Se preocupar com eles, pra você ver como é bom
42 - Namorar alguém diferente de você
43 - Se conformar que as coisas podem ser pior, você é que não tem imaginação
44 - Ter um bicho de estimação
45 - Se aposentar
46 - Envelhecer com quem você ama
47 - Ouvir muito Beatles
48 - Aprender que certas coisas é melhor que se deixe passar
49 - Dormir boas noites de sono
50 - MANTER A CONVICÇÂO DE NUNCA DESISTIR!



Escrito por Marcel Bittencourt às 12h03
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Michael Moore

     Por algum tempo apenas ouvi falar em Michael Moore. Só sabia que ele tinha representado muito bem a classe dos gordos esculhambando Bush ao receber o Oscar de melhor documentário pelo excelente "Tiros Em Columbine".
     Um belo dia ouvi um comentário do Eduardo Santos, da rádio Ipanema, ainda na primeira semana de cartaz do filme "Farenheit 9/11" contando alguns detalhes sobre o documentário. Aquilo aguçou minha curiosidade com relação ao cara e então minha mais pura curiosidade mórbida me levou ao cinema.
     E o que eu obtive foram básicamente duas coisas: choque e alívio.
     Choque.
     Não há como ficar imune as revelações bombásticas do filme. São inúmeras negociatas e falcatruas. Maracutaia mesmo! Um congressista que admite que não se lê a maioria dos projetos aprovados, recrutadores das forças armadas vendendo a adolescentes pobres o sonho de conhecer o mundo através do US Army, relações comerciais estreitas entre os Bush e os Bin Laden (isso mesmo, você não leu errado).
     Multipremiado, inclusive em Cannes, o documentário foi censurado nos Estados Unidos e liberado após pressão popular. Censura que não me surpreendeu nem um pouco, vindo de quem veio. Honestamente, não sem como Michael ainda está vivo. Os Estados Unidos não são prepotentes apenas com pequenas nações muçulmanas ricas em petróleo. Não. Eles são algozes de todo aquele que se mostrar contrário. Eu não sei por que, mas isso me cheira a ditadura. Não é algo no mínimo incoerente, sendo que estamos falando da terra das oportunidades? Aquela estatua está lá pra que? Estética? Parece que sim, e Michael está mostrando isso pro mundo. Toda a podridão nas entranhas (desculpem o termo, mas não achei nenhum melhor) da terra do Tio Sam. Verdade nua.
     Inevitavelmente, fiquei muito interessado no Tiros em Columbine e fiquei igualmente encantado com o trabalho desse gordo.
     Depois de ver que um, um único, cineasta conseguiu fazer todo esse alarde e abrir os olhos de muita gente pra tudo que acontece e ninguém fica sabendo, chego a duas conclusões:
     1 - Não é difícil fazer.
     2 - Precisamos, urgentemente, de um Michael Moore.
     Não adianta ficarmos com discursos pré-prontos de "o canal X mente!" ou "o jornal Y é tendencioso". Não. Precisamos de alguém que mostre como é por dentro. Que rompa os limites e abale as estruturas. Alguém que desmascare Severinos e ACMs. Alguém que diga com todas as letras "Isso é um absurdo, estão fazendo A, B e C e os responsáveis são Fulano de Tal e Beltrano de Tal".
Eu me recuso a creditar que não tenha ninguém nesse país interessado em financiar um projeto desse tipo. O retorno, tanto social como financeiramente falando é garantido e o tempo urge com relação a essa questão.
     Chega de pagar impostos que não sabemos de onde vieram, pra onde vão ou a quem eles alimentam. Chega de conviver com a empáfia de presidentes da câmara que reclamam da miséria dos salários dos daputados.
     Eu não sou cineasta e não sou escritor. Eu sou músico.
     Está lançada a idéia.
     Precisamos de um Michael Moore.



Escrito por Marcel Bittencourt às 08h30
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Covernation

     Esse ano Marcos Mion finalmente saiu da geladeira da Band e voltou pra MTV, de onde, vamos combinar, nunca deveria ter saído. Depois do fraquíssimo "Um VJ, Um Ator, Umas Mentiras", emplacou seu programa atual, o no mínimo divertido Covernation. Mas isso aqui não é crítica de TV, então vamos direto ao ponto.
     Além de apresentar um duelo de bandas cover, o programa é recheado de críticas veementes nas entrelinhas. São mensagens discretas, quase subliminares, mas que nos fazem, ou pelo menos deveriam fazer, analizar por outro prisma a idéia do Cover.
     Cover todo mundo gosta e influência todo mundo tem. O problema reside exatamente na tênue linha que divide a influência da cópia. O texto inicial de Marcos no programa sempre diz algo como "você que não tem originalidade nenhuma" ou "se você nao consegue criar absolutamente nada, esse é o seu programa". É tudo muito engraçado, não?
     Não. Não é não.
     É trágico.
     Quantas bandas originais você conhece? Quantas bandas surgiram com algo novo de 95 pra cá? Dá pra contar nos dedos. Se bobear, de uma mão. Sempre a mesma coisa, "exigências de mercado", "padrões", "formato radiofônico", e as bandas acabam, como disse Marcelo Nova, soando todas em uníssono, todas iguais.  
     Por que será que eu tenho a sensação de já ter visto esse filme?
     Um exemplo simples: Pearl Jam. Grande banda, tá aí até hoje, apesar do negativismo do Eddie Vedder. Repare quantas filiais tem o Pearl Jam. Creed, The Calling, Yellow Card... Nem precisamos ir tão longe. Agora veja o que é, em termos de banda, o Pearl Jam e as outras. Ninguém deu a mínima quando o Creed acabou! Mas se o Pearl Jam encerrasse as atividades eu tenho certeza absoluta que muita gente lamentaria muito.
     Outro exemplo: nosso mercado fonográfico está tão fraco, mas tão débil que surge uma salvação do Rock and Roll a cada mês. É uma eterna busca pelo "agora sim", um força barra gigantesco. O Rock and Roll não precisa nem nunca precisou de salvação.
     O que eu quero dizer é que de nada adianta, não existe valia nenhuma em imitar o Pearl Jam, ou o Led Zeppelin, ou os Stooges, ou Guns 'n' Roses, porque essas bandas já existem e fazem muito melhor. E essas bandas foram originais, este é o ponto onde eu quero chegar. Essas bandas não imitaram, elas criaram, elas foram material para e não de imitação. Apesar de mais difícil e tortuoso, o caminho da originalidade ainda me parece um negócio mais honesto e válido.
     Hoje vivemos num imenso Covernation. Esse programa é muito legal exetamente por representar o mercado fonográfico. Bem como na vida real, o programa apresenta músicos sendo julgados por pessoas que não entendem de música e condenados ao veredito dela, ganha pontos quem atrai mais mulheres, e a banda que imitar melhor uma banda de sucesso e falar exatamente o que eles querem ouvir vence.



Escrito por Marcel Bittencourt às 00h03
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O Primeiro


    Há algum tempo tenho a idéia de escrever sobre algumas percepções e opiniões que tenho a respeito de uma série de assuntos. Há algum tempo também penso em publicar esse material, e aqui estou eu. Sempre tem uma primeira vez. E a primeira vez a gente nunca esquece. Quando finalmente tomei a decisão de por em prática a mais uma das minhas idéias estapafúrdias, me peguei pensando em encontrar algo legal pra escrever, pois, afinal, é meu primeiro texto.
    E percebi que isso sintetizava o mundo.
    Começa na infância, com a velha brincadeira de "vamos ver quem chega primeiro?". E quem não for o primeiro é mulher do padre. Então vem a escola e a obrigação de tirar boas notas, de ser o primeiro da turma. E esse karma o acompanhará por toda a vida acadêmica: o primeiro da turma, o primeiro da série, o primeiro do vestibular, o primeiro do seu curso.
    - Graças a Deus - você pensa - acabou o martírio. Me formei com louvor, o primeiro da universidade.
    Como eu já disse, você pensa.
    Vem então a vida profissional, muito mais cruel e sem escrúpulos. Chegam até você como pacotes da FedEx as pressões, cobranças e, claro, metas, onde você deve - Surpresa! - ser o primeiro.
    O que eu não consigo entender é como esse conceito se popularizou tanto. Estamos nesse mundo de passagem, tenho certeza que você concorda comigo. E queremos ser felizes, afinal, é a razão da vida. Agora, se para sermos considerados, para obtermos algum respeito, para nos sentirmos plenamente felizes é preciso estar no topo e dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, estariam todos os outros do segundo até o enésimo colocado condenados a infelicidade? 
    Nao!
    Não!
    Não, não!
    Por que diabos eu me preocuparia com um mero primeiro lugar?
    Mulheres lindas ficam em segundo nos maiores concursos de beleza. Canções perfeitas ficam em segundo em  grandes festivais. E canções ainda melhores nem são selecionadas. A questão básica é: o foco está sempre no primeiro, mas nem sempre isso é sinônimo de qualidade ou de justo merecimento. E muitas vezes você em décimo sétimo pode ser bem melhor. Não há mal nenhum nisso, embora sejamos induzidos a crer que faltam 16 posições para a felicidade.
    É sempre a mesma coisa, é sempre mais do mesmo. O primeiro. Sempre ele. Ser o primeiro, ter o primeiro, estar no primeiro, uma eterna corrida pelo topo, pelo pódio, pela liderança. A constante pressão de ser um vencedor.
    Crescemos acreditando que ser segundo fede, que não estar na ponta é sinônimo de derrota, que o segundo colocado é o primeiro perdedor. No entanto, a vida não é feita apenas de primeiros, mas de segundos, terceiros e decimo-sétimos. E o décimo sétimo pode ser ótimo sim.

 



Escrito por Marcel Bittencourt às 00h01
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